Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
Carlos Drummond de Andrade.
Então eu pensei em você. E quis me teletransportar pra perto de ti.
Clarissa Corrêa.
Me desculpa, mas eu não sei amar pela metade. Eu não sei precisar apenas de vez em quando.
Renato Russo.
Alguém me dá um comprimido? Talvez dois. Talvez mil. Um milhão. Algo que me faça dormir. Feito pedra. Mesmo que a casa esteja pegando fogo hoje eu não tô com vontade de acordar. De levantar. De refletir. Analisar. Pensar. Raciocinar. Não quero colocar a cara para fora. Quero fechar as portas, janelas, vidros, portões. Um comprimidinho apenas. Pra adormecer. Esquecer. Me perder. Difícil não sentir. Não lembrar. Não recordar. Não procurar fotos. Nem nada que me faça voltar no tempo e conseguir visualizar a nossa felicidade. Aconteceu tudo muito rápido, que nem miojo. Três minutos. Felicidade. Uma eternidade. Hoje resta a saudade.
Clarissa Corrêa.
Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo. E daí se vai pra onde?
Tati Bernardi.
Aprendi que o artista não vê apenas. Ele tem visões. A visão vem acompanhada de loucuras, de coisinhas à toa, de fantasias, de peraltagens. Eu vejo pouco. Uso mais ter visões. Nas visões vêm as imagens, todas as transfigurações. O poeta humaniza as coisas, o tempo, o vento. As coisas, como estão no mundo, de tanto vê-las nos dão tédio. Temos que arrumar novos comportamentos para as coisas. E a visão nos socorre desse mesmal.
Manoel de Barros.
Você não sai do meu pensamento. E eu me questiono aqui se isso é normal.
Detonautas.
Você não sai do meu pensamento. E eu me questiono aqui se isso é normal.
Detonautas.
Sentia vontade de chorar, mas não saía lágrima alguma. Era só uma espécie de tristeza, de náusea, uma mistura de uma com a outra, não existe nada pior. Acho que você sabe o que quero dizer, todo mundo, volta e meia, passa por isso, só que comigo é muito frequente, acontece demais.
Charles Bukowski. 
Não, não quero mais gostar de ninguém porque dói. Não suporto mais nenhuma morte de ninguém que me é caro. Meu mundo é feito de pessoas que são as minhas – e eu não posso perdê-las sem me perder.
Clarice Lispector. 
Um dia, sério mesmo, quero gostar tanto de alguém como eu gosto de, sei lá, de “Come As You Are” do Nirvana ou de sashimi de atum, de vinho do Porto ou das cartas do Burroughs. Quem sabe eu até vá a casamentos de colegas, chás de avós e campeonatos de xadrez de afilhados. Ou então serei sempre essa causa perdida. Num dia eu acordo e sou só um alguém entediado, e no outro somos duas pessoas numa confusão sem tamanho. Não sei salvar ninguém. Mas, como dar uma de herói quando o crime a combater é você mesmo?
Gabito Nunes.  
Tô tão feliz, tão leve… Vou deixar pra ficar triste outra hora. Agora, não.
Caio Fernando Abreu.  
Mas o que dói mesmo é esse finalzinho de dia. A hora que eu validava a minha existência com a sua atenção.
Tati Bernardi.
Sim, a gente pode acabar em dois dias, ou durar ainda dois mil anos. Não sabemos qual das duas hipóteses, e por isso, é difícil pra muita gente se interessar por alguma coisa.
Charles Bukowski.